domingo, Janeiro 27, 2013

Essa visão da Lua

Há cinco minutos atrás da noite de hoje, desci as escadas para destrancar a entrada do conjunto e permitir que pessoas entrassem. Pessoas que não são você. Elas tiveram essa visão da lua.

Há quatro minutos atrás da noite de hoje, abri a porta da garagem que a vizinha, amiga de relativos, de anos de conversas, histórias, hospedagens e cafés da manhã anuais, me emprestou para guardar o carro. Ela também teve essa visão da lua.
Há três minutos atrás da noite de hoje, entrei no veículo, liguei a ignição e direcionei-o ao portão. Mal fez-se necessária a iluminação frontal dos faróis. A luminosidade noturna exigia muito menos da luz dos postes, artificial, mas ainda sim apaixonante aos apaixonados, que se escondem pela madrugada, procurando um espaço para dizer as mais belas palavras existentes. Cada um deles também teve essa visão da lua.
Há dois minutos atrás da noite de hoje, com algum esforço exagerado, fechei o portão com uma expressão apreensiva estampada no rosto. Não só de amor a lua vive. A lua também vive da esgueira e furtividade, da necessidade aliada ao desespero aliado ao ato final. Seus adeptos também tiveram essa visão da lua.
Há um minuto atrás, voltando à escadaria da minha casa, pude perceber essa luminosidade estranha. Pude perceber sombras que se formavam pelo bloqueio de uma fonte de luz que encantava, que me enchia a cabeça com as figuras fantásticas mais incríveis (in)existentes. Mini-epifania passageira. Quando eu também tive essa visão da lua, pensei em você.
Não teria como ser diferente. Você deveria ter tido essa visão da lua. Infelizmente, as luas não enxergam em sua totalidade a luz que emanam, sem entrar nos méritos físicos dessa sentença. As luas, estáticas, talvez não conheçam em sua totalidade seus próprios efeitos. Isso não diminui o mito extraordinário alcançado por ela. Queria eu poder ter esse poder. Queria encher de contos o imaginário dos mortais. Me contento em encher de contos o teu imaginário. Como esse que te escrevo.
Realização final. Ser a lua de um lobo.
Ser a tua lua.
terça-feira, Outubro 23, 2012

Amigos adultos

A gente precisa mesmo ser adulto? Vejo meus amigos tão atarefados, cheios de projetos e planos, sonhando bem à frente do presente. Alguns já começam a erguer sua própria Jerusalém, estabelecer bases familiares e um suporte financeiro estável. Muitos já usam todas essas palavras difíceis relacionadas a política, economia e sociedade. E eles ficaram chatos. A gente até ri junto, nos divertimos juntos, mas só nos horários comuns às nossas atividades acadêmicas ou profissionais. Eu sinto falta de mais.
Pior, sinto falta de mais, só que de uma forma descompromissada… daqueles que tu liga tarde da noite chamando pra sair e ele já tava arrumado esperando a ligação. De não ter nada pra fazer no meio de uma terça-feira e inventar uma fome como desculpa pra ir a algum lanche três bairros depois.
Sabe, ter que organizar coisas duas, três semanas antes, pra um encontro que deve ter exatamente 5 horas de duração, e cronometrar cada atividade, milimetricamente planejadas… eu já fico imaginando eles falando: “cara, todo mundo tem responsabilidades, não é assim que as coisas funcionam”. Tá, tá, quer saber? Ok. Eu que to sendo bem mala de gostar tanto assim das pessoas que convivo, querer mais um pouco da companhia delas, falar bobagem por um bom tempo e voltar rindo de alguma piada idiota.
Já sei o que era pra eu ter pedido de aniversário: amigos menos frescurentos, que planejam saídas em cima da hora, sem hora pra ir nem pra voltar. Amigos menos responsáveis, menos trabalhadores, menos focados, que gostassem de fazer nada nos fins de sábado e de andar na estrada ouvindo música.

Ou talvez eu esteja ficando pra trás mesmo. Talvez seja hora de ser adulto também.

domingo, Outubro 21, 2012

Day One

Um leito de hospital, roupa de hospital, máquinas ligadas, soro, tudo muito límpido, tudo muito branco. Um travesseiro extremamente confortável. Lençol cobrindo a metade do corpo. Ele pensa sobre o seu sono. Ele não quer dormir, mas seus olhos irão inevitavelmente se fechar. Não se aguenta assim o cansaço, nem todo o peso das consequências. Ele pensa sobre o seu sono. Justo ele, que há muito tinha resolvido essa questão pessoal. Afinal, a morte é só mais uma etapa da vida, e por ser inevitável, mais fácil se acostumar à sua ideia e evitar toda a mitologia que ronda o conceito. O problema é só que ninguém deseja morrer, mesmo o suicida. Aceitar a morte, agora, parece muito mais uma mentira boa de contar pros outros, como um conforto ao ego, do que uma constatação. Parece que toda a tristeza da última fase do ciclo faz o homem ser um animal muito besta. Todo o luto e a perda criados pra gerar sofrimento que não merecemos, que deveria ser evitado. Ou o sentido disso tudo é ter mini momentos de felicidade em oásis no meio de um imenso deserto? Aceitei a morte uma ova. Detesto essa impotência. Tenho medo do que vem depois que ninguém te conta, a única resposta que nunca será respondida coletivamente, nem compartilhada em artigos, nem mais vendidas em best-sellers.

Adoramos ser movido a teorias, de qualquer forma, essa liberdade de escolha, prever o post mortem mais confortável possível antes que sua cabeça entre em espiral se queixando da falta de explicações deixadas pra gente. Justo eu que tinha uma resposta pra tudo na ponta da língua. Fale sobre Deus e eu refutarei com bules e pedras. Fale sobre Deus e eu te mostrarei o mistério, tudo que a humanidade não irá responder. Seja esquerda ou direita, não importa, eu te mostrarei que um dos caminhos vai te levar ao lobo mau. Torça para um time e eu vou dizer quais outros são melhores, ou falar da tamanha perda de tempo e de batimentos cardíacos com esportes sem objetivo. Eu sei qual a melhor teoria sobre o tempo e o espaço, sobre os modelos atômicos, o universo e tudo mais. Sei analisar imparcialmente um filme, mesmo esquecendo de absorver a experiência. Eu não preciso de experiência. Eu já tenho todas as respostas. Um ponto de vista pra tudo. Aparentemente, isso não serviu pra porra nenhuma. Depois que meus olhos fecharem, a rotina do mundo não terá mudança alguma. As pessoas continuarão aderindo a crenças ou negando cada uma delas. Os homens continuarão amando e os casais trocarão presentes no dia dos namorados. Os homens continuarão odiando e todo tipo de guerra continuará em andamento, seja as que começam em uma casa ou as guerras de nações. Eu ainda continuo, sem ter feito diferença alguma, e não me aguento de cansaço. Meu sono cada vez mais próximo e até já cansei de bocejar.

Minhas respostas não serviram pra nada. Argumentar com as pessoas pra provar que estou certo? Aliás, estava mesmo? Qual o benefício de estar certo, em primeiro lugar? Realização pessoal? Tentar ser uma pessoa melhor? Mas ser uma pessoa melhor não significa realizar o melhor dentro do seu ambiente, para a sua sociedade, para as pessoas que você gosta? E que pessoas você vai gostar se todas estarão erradas frente às suas certezas? Talvez o objetivo não era ter as melhores respostas, as mais certas. Talvez o que faça tudo valer a pena é o que você faz durante a sua busca, os projetos realizados em cima de incertezas, conviver com a dúvida descobrindo a necessidade de menos questionadores e mais realizadores.

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Uma pena ter realizado isso no último dia. Ou… Epifania. Talvez esse seja verdadeiramente meu primeiro dia de vida.

sábado, Agosto 25, 2012
Taken with Instagram

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domingo, Julho 8, 2012

(Fonte: lovequotesrus)

(Fonte: joeydeangelis)

sábado, Junho 2, 2012

Who am I? Kelly Kapoor, the business bitch.

Who am I? Kelly Kapoor, the business bitch.

segunda-feira, Maio 7, 2012

svalts:

Video Games Villains

Created by Joshua Summana

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terça-feira, Abril 3, 2012
to the mushroom and beyond (Taken with instagram)

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quarta-feira, Março 7, 2012

freebirdsims:

OMGGG SIMCITY IS BACK!!